Chá de Carinho.

Estava atormentada.
Faziam algumas horas e ela permanecia na mesma posição; sentada na cama olhando fixamente para o chão. Se sentia suja, como todas as vítimas costumavam se sentir. Queria amputar o corpo da cintura pra baixo. Queria chorar, mas não tinha forças.
O telefone tocou, era Jeanne, sua melhor amiga. Atendeu e disse uma só palavra: Venha.
Não ousava olhar para o bilhete, em cima da mesinha, ao lado do notebook. Estava com medo. Será que alguém já sabe o que me aconteceu?
Meninas violentadas não são mais vistas com os mesmos olhos diante a sociedade, pensou Erin. Vai guardar este segredo podre, até que ele destrua a sua vida.
Jeanne chegou e sua presença fez Erin chorar. Queria contar, não sabia como, acabou contando. Jeanne chorou junto com a amiga, abraçou-a forte e disse que agora estava tudo bem. Não vai envolver a polícia, não vai envolver nada.
Os olhos de Erin estavam mais claros que o normal, brilhavam como diamantes. Ela sentia vontade de morrer, outrora de saber porque. Esta segunda opção doía, confundia, dava medo.
- Ele não vai voltar, calma.
- Olha o bilhete na mesinha.
Jeanne leu. Suspirou e colocou a mão na testa.
- Não vai. Eu te prometo, vou te proteger.
- Estou muito confusa, Jeanne... Quero esquecer isso tudo.
- Vai esquecer. - Jeanne levantou - Vou fazer chá.
Conversaram a tarde e a noite toda. Os dias passaram, e o chá de Jeanne foi fazendo Erin melhorar e esquecer aquilo tudo...

1 comentários:

Ficou ótimo minha pequena!
Nossa, que triste.
Eu adoro a Erin, ela é forte, muito forte.
Esta muito bom, mesmo.
Parabéns!

Escreves muito bem.
Estou orgulhoso ^^
Adoro o seu blog, volte a escrever nele sempre, para que eu possa lê-lo.

Saudades
Beijo.

10 de setembro de 2008 às 10:55  

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