Círculos.

Só preciso de um pedaço de carvão.
Eu costumava desenhar algumas formas abstratas. Era algo como sentimentos, se eu pudesse descrever rabiscos como buracos negros, eu daria um significado mais específico. Era ódio, era vento. E girava em torno da minha mente, continuava girando, e mais vezes me cegavam os olhos. Me cegavam os olhos essa poeira toda chamada brilho, memória. Correntes da ventania, correntes do passado. Ambas te prendem e te fazem girar e perder tempo nelas.
Não é como a escuridão, outro tipo de corrente, que eu particularmente me prendi por pura curiosidade e vontade de tal forma que perdi a noção do tempo... Não sei quanto tempo estou preso por essas correntes, talvez antes do meu aparecimento na luz.
A luz, o mundo. Me irritam os olhos, já citei. Os dentes brancos dos sorrisos me fazem cuspir ao longe. A inocência é clara, assim como a mídia e a vontade, a opressão da tal força positiva que eu poderia chamar de manipulação da alma.
São filas coloridas, cheias de mulheres estúpidas, homens grosseiros e crianças nuas. Todos eles andam com caixas vazias em suas mãos, querem preencher... Com o vazio que encontrarão em frente.
Eu desenhei toda essa gente, todos esses lugares. Esse é o motivo de detestar o meu sketchbook, eu não criei uma arte da qual eu me orgulhasse. Mas a arte não somente deve agradar o artista, deve ensiná-lo. Depois, é uma volta para casa, onde não há mais brilho, onde meus olhos estão em segurança total. E o meu caminho para voltar da luz, é uma coisa concreta, por incrível que pareça ao leitor. É negro, um grafite apaixonante. É um pedaço de carvão.

1 comentários:

Eu gostei.



(g)

24 de fevereiro de 2008 às 09:18  

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